Novembro roxo: conheça o mês da prematuridade

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A campanha Novembro Roxo existe para promover conversas e orientação em relação à prematuridade dos bebês. Ela ajuda a levantar uma discussão muito importante e que pode trazer mais segurança e qualidade de vida tanto aos pequenos quanto aos familiares.

Se os cuidados com o recém-nascido já são variados, com os bebês prematuros, devem ser ainda maiores. Por isso, a importância dessa iniciativa é grande, até porque, no Brasil, 11,7% dos partos são prematuros.

Mas o parto prematuro é possível de ser evitado? Quais são os cuidados durante a gestação? E mais, com a criança nascendo antes do momento ideal, quais os receios e medos que mães e responsáveis passam? Todas essas perguntas serão respondidas ao longo deste artigo.

Para trazer ainda mais informação de qualidade, conversamos com Flavia Santos, enfermeira neonatologista, e com Ana Carolline Pessoa Feitosa, mãe da Maria Antonella, que nasceu prematura. Confira em detalhes essas entrevistas. Vamos lá?

O que é o Novembro Roxo?

O Novembro Roxo marca a campanha que acontece em todo o mês de novembro para tornar o debate e as informações sobre prematuridade mais divulgadas a todos. É uma ação mundial — o dia 17 de novembro é considerado o Dia Mundial da Prematuridade, marcando o ápice dessa campanha.

De qualquer maneira, a ideia é que as conversas e informações geradas no Novembro Roxo perpetuem por todo o ano. Afinal, crianças prematuras podem nascer em qualquer época, trazendo muitas dúvidas e insegurança aos pais.

Nesse sentido, ao falarmos mais do tema, trazemos clareza, conforto e informação de qualidade, o que pode aplacar a ansiedade dos pais, evitando desinformações.

“Ao falar da prematuridade preparamos as famílias para as especificidades desses bebês e também trazemos esperança para a sobrevida desses pequenos guerreiros”, comenta a enfermeira neonatologista Flavia Santos.

Quando uma criança é considerada prematura?

Uma das primeiras informações a se saber é quando uma criança é considerada prematura. De acordo com a especialista, isso acontece quando ela nasce abaixo das 37 semanas. 

A questão da prematuridade é que “ao nascer antes do tempo, o bebê não está completamente formado. Então, esse término de maturidade será extrauterina. A criança deverá ter um acompanhamento multiprofissional”, explica Flavia.

Pense só: se os bebês não têm sua imunidade completamente formada, o prematuro tem menos ainda.

Quais são as causas da prematuridade?

“As causas mais comuns de prematuridade são hipertensão arterial gestacional, infecção urinária, placenta prévia, corioamionite”, conta Flavia.

Inclusive, durante a gravidez, alguns sinais apontam para a possibilidade de o bebê nascer antes da hora, como:

  • sangramento;
  • restrição de crescimento intrauterino;
  • trabalho de parto prematuro, como no caso da incompetência istmo cervical.

Foi o que aconteceu com a mãe de Maria Antonella, Ana Carolline, de 27 anos.

“Eu descobri que minha pequena poderia vir prematura por conta da gravidez anterior — perdi um menino com 6 meses de gravidez, pois eu possuía incompetência do istmo cervical IIC”.

Ao engravidar, 4 meses depois, Ana Carolline já sabia que precisaria se cuidar.

“Corri pra fazer todos os exames. Os médicos já avaliaram a necessidade de cirurgia para cerclagem (uma espécie de costura no útero para que ele suporte o peso do feto durante a gestação) e, assim, não correr o risco de perder novamente”, revela.

No decorrer da gravidez, Ana Caroline também desenvolveu diabetes gestacional. Com isso, ela foi orientada a ficar em repouso absoluto. “Só levantava pra ir ao banheiro, pois mesmo tendo feito a cerclagem e controlando a diabete, o colo do útero continuava a diminuir, indicando um parto prematuro”, relembra a mãe de Maria Antonella.

Mesmo assim, a bebê nasceu antes da hora.

“Quando completei 28 semanas de gestação, a bolsa estourou, então fiquei com a bolsa rota durante uma semana internada na maternidade, usando medicações e antibióticos para não criar infecção e sustentar o máximo possível a bebê no útero. No fim desta semana, numa quinta feira à noite, dia 28 de Maio de 2020, a Maria nasceu, foi um parto vaginal, acompanhado por minha Ginecologista Obstetra e uma Pediatra de UTI, pois não sabíamos como Antonella viria ao mundo. Para nossa surpresa ela nasceu bem, chorando e respirando, saudável!”, recorda.

Ana Carolline recebeu alta dois dias depois, mas sua pequena precisou permanecer por mais 45 dias na UTI. “Ela precisava maturar o cérebro e os pulmões. Eu a visitava todos os dias e, em uma dessas vezes, eu a encontrei entubada. Cheguei a pensar que não ia conseguir levar minha filha pra casa, mas ela evoluiu bem”.

Quais são os desafios da prematuridade?

Mesmo com o final feliz de Ana e Maria Antonella, a saída da maternidade não foi simples. “Cuidar da minha filha foi um desafio, principalmente na alimentação. Como ela engasgava demais, tive que contratar as técnicas que cuidavam dela na UTI por cerca de uma semana. Só me sentia segura com as técnicas ao meu lado”.

Boa parte desses desafios acontece porque, ao nascer prematuro, o bebê não está completamente formado, como dissemos antes. O tempo na UTI costuma variar em cada um dos casos, mas, no geral, quanto mais prematuro, mais tempo de incubação será necessário.

Como prevenir um parto prematuro?

Dependendo das causas, não é possível evitar a prematuridade. Por essa razão, a enfermeira Flavia Santos destaca a necessidade de realizar um pré-natal de qualidade. Com ele, é possível se cercar de todos os cuidados e ter um final feliz, como foi o de Ana Carolline e Maria Antonella.

Então, qual é a importância do Novembro Roxo?

Mesmo que não seja possível prevenir a prematuridade, ela pode ser conversada para trazer mais informação às mamães e papais. 

“O Novembro Roxo vai preparar as mães para entenderem e conseguirem lidar com as situações que podem acontecer caso entrem em um trabalho de parto prematuro. Também precisamos destacar que a prematuridade não significa a morte do bebê — na maioria das vezes, ela é um obstáculo”, comenta Ana Carolline.

Um obstáculo em diversos aspectos como: sair da maternidade sem o filho, demorar para poder fazer a amamentação, questões de insegurança e ansiedade, entre outros.

No caso de Ana e Maria Antonella, ambas puderam contar com o apoio da família em todos os momentos.

“Sabíamos da dificuldade que era cuidar de mim dentro de um quarto no qual eu não podia levantar pra nada, minha família ficava comigo o tempo todo, até mesmo para evitar uma depressão — eles foram meu alicerce”.

Hoje, Ana e sua filhota estão muito bem, esbanjando saúde. Ana, inclusive, trabalha meio período em um escritório, é estudante de enfermagem e usa todo o tempo livre para cuidar da filha.

A prematuridade é uma questão que deve ser encarada de frente, até para que o bebê e sua mãe se recuperem bem. Por isso, vale a pena compartilhar este texto com mais mamães e papais, trazendo mais conscientização ao Novembro Roxo, não acha?

E mais uma dica, leia sobre os benefícios da música durante a gestação. Ela acalma e ajuda no desenvolvimento do pequeno. Até a próxima!

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