Outubro rosa e autoexame: entenda a importância do autocuidado na gestação

7 minutos para ler

Por mais que as estatísticas mostrem que os casos de câncer de mama durante a gestação sejam mais raros, a doença aparece, geralmente, em uma a cada 3.000 mulheres grávidas.

Durante a gravidez, com todas as mudanças naturais nas mamas, muitas mulheres acabam não percebendo e deixando para fazer os exames de rastreamento após o parto, o que acaba atrasando o tratamento, nos casos positivos. Por isso, precisamos falar sobre o Outubro Rosa, autoexame e autocuidado durante a gestação.

Também vale ressaltar que existem, sim, possibilidades de exame para as futuras mamães sem afetar a gestação ou trazer prejuízos à saúde do bebê. Para trazer informações ainda mais relevantes, conversamos com Tathiane Avila, enfermeira pós-graduada em obstetrícia, além de consultora em aleitamento materno, trabalhando na área materno-infantil há 9 anos.

“Detectar precocemente o câncer de mama é a melhor alternativa de prevenção. Na mamografia, nódulos com milímetros não palpáveis já são detectados, por isso, trata-se de um exame de suma importância e que deve ser feito anualmente após os 40 anos de idade”. Continue lendo para mais informações!

Outubro Rosa: qual é a importância desse movimento?

Criado no início da década de 1990, o Outubro Rosa tem o objetivo de compartilhar informações e enfatizar as formas de prevenções. “Assim, pode existir um acompanhamento adequado e tratamento precoce, reduzindo os índices de mortalidade” — ressalta Tathiane Avila. 

Vale dizer que, de acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca), o câncer de mama é o mais comum entre as mulheres. Apenas entre 2020 e 2022 devem ser diagnosticados cerca de 66 mil novos casos. A detecção precoce, como nossa especialista mencionou, é fundamental para diminuir as taxas de mortalidade.

Por que o autoexame se faz necessário?

O Outubro Rosa e o autoexame têm importância fundamental porque, como Tathiane também pontua: “as mamas amadurecem e se modificam com a nossa trajetória”. Dessa forma, quando a mulher observa os seios com frequência, sempre os tocando, pode entender quando algo foge da normalidade.

Inclusive, na gestação, “observamos mudanças no corpo e nas mamas evidentes, é uma fase de transição bem característica, pois acontece a preparação para a amamentação muito positiva. Entretanto, temos que manter os cuidados e a vigilância nessas transformações, com prevenção e autocuidado. Isso quer dizer que as gestantes devem ser orientadas e incluídas na mobilização que o Outubro Rosa proporciona em termos de prevenção e conscientização” — afirma a enfermeira especialista em Obstetrícia.

As mudanças nas mamas durante a gestação

Uma vez que essas alterações são bem notórias, vale a pena entender quais são elas. Tathiane Avila comenta sobre essas modificações.

“Nessa fase da gravidez, ocorrem mudanças nas estruturas internas da mama, como a maturação dos ductos (tubinhos por onde passam o leite), alvéolos (bolsinhas onde ele é produzido), mais sensibilidade, escurecimento dos mamilos e a presença de glândulas sebáceas (parecem espinhas nos mamilos). Porém, tudo isso é normal e esperado, além de benéfico para a produção de leite” — a profissional avisa.

O fato é que, com as alterações características da fase gestacional, fica mais delicado identificar alterações por meio do autoexame. “Ainda assim, a gestante deve observar os seios e palpar, porém, a recomendação é que mantenha as consultas de rotina para rastreio” — salienta a especialista.

Durante a gravidez, “o indicado é que o exame de rastreio seja, primeiro, a ultrassonografia (mamografia), visto que não tem radiação ionizante. Já na amamentação, não temos contraindicação absoluta, mas o ideal é que seja evitado nos primeiros seis meses da lactação” — explica Tathiane.

Em relação à biópsia, a enfermeira comenta que ela pode ser feita, mediante o cuidado com administração de medicações anestésicas, e mantendo a continuidade da amamentação.

Outubro rosa e autoexame: qual é o passo a passo?

Prestar atenção às mamas é uma necessidade durante toda a vida das mulheres. No Outubro Rosa, o autoexame ganha ainda mais evidência em discussões e ações permitindo que essa importância fique clara à toda a sociedade. Mas, então, qual é o passo a passo para fazer o autoexame?

Antes de mais nada, uma mulher, todos os meses, passa por alterações hormonais com o ciclo menstrual. Assim, Tathiane indica o autoexame logo após o fim da menstruação. “As mamas ficam mais macias, menos sensíveis e, assim, mais fáceis de palpar e perceber suas mudanças”. Na sequência, é necessário: 

  • ficar de frente a um espelho para observar o formato e possíveis alterações;
  • levantar o braço esquerdo ou direito e apoiá-lo sobre a cabeça;
  • com a mão do outro lado, examine a mama, apalpando com a ponta dos dedos toda a área, inclusive as axilas;
  • depois, é só repetir os movimentos na outra mama.

E as mulheres que estão amamentando?

Tathiane recomenda que, durante a amamentação, as mulheres observem e apalpem as mamas para conhecê-las nesse novo momento. Um alerta da especialista é procurar ajuda médica nos seguintes casos:

  • se ocorrerem processos inflamatórios sem resolução mesmo com intervenção médica;
  • mastites que não se curam;
  • mamas que, mesmo esvaziadas pós-mamada se mantém com nódulos;
  • secreção com coloração alaranjada ou rosada de forma persistente;
  • temperatura elevada da mama como sinal de inflamação, procure orientação de um especialista.

Quando buscar um médico?

A conscientização do Outubro Rosa e do autoexame mostra às mulheres a necessidade de manter as consultas de rotina sempre em dia, independentemente da idade. Em geral, elas são anuais quando não existem casos de risco na família.

No mais, “as mulheres entre 35 e 40 anos devem fazer consulta com um mastologista e sua primeira mamografia. Após os 40 anos, é preciso fazer mamografias anuais, afinal, somente esse exame será capaz de detectar nódulos bem pequenos. Quando são identificadas alterações mamárias antes dessa idade, também é preciso procurar atendimento médico, que vai direcionar essa mulher aos exames necessários e tratamentos” — explica Tathiane.

Existem outros cuidados?

A conscientização do Outubro Rosa para o autoexame é muito positiva, mas uma vida saudável também ajuda demais, sabia?

A especialista dá a dica: “cuidar da alimentação, fazer atividade física, não fumar, evitar consumo de bebidas alcoólicas e sobrepeso são recomendações que estão contidas como prevenção de câncer mamário” — diz Tathiane.

Além disso, vale dizer que a amamentação é um fator preventivo de câncer de mama, sobretudo quando acontece de forma prolongada. Porém, a especialista ressalta que “durante a amamentação, também é preciso observar as alterações mamárias. As mães, na descoberta da maternidade, se desconectam do autocuidado. Por isso, eu destaco a importância de manter a frequência de consultas regulares e exames de rastreio de acordo com a faixa etária, mesmo na fase de lactação e gestação”.

Agora que você já leu sobre a importância do Outubro Rosa e do autocuidado, mesmo na gravidez, acompanhe essas dicas para uma gestação saudável!

Posts relacionados

Deixe um comentário