Picos de crescimento e salto de desenvolvimento: saiba o que esperar

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Após nascer, o bebê passa por mais de um salto de desenvolvimento e pico de crescimento. Eles acontecem, principalmente, no primeiro ano e meio de vida (18 meses) e geram diversas alterações no comportamento e no sono do bebê.

Esse é um período excitante e desafiador, de grandes mudanças para o bebê e para a família. Então, é fundamental entender pelo que ele está passando, para conseguir atender às necessidades de forma tranquila.

Neste artigo, vamos mostrar para você o que esperar dos principais picos de crescimento e saltos de desenvolvimento da criança. Confira e se prepare para esses momentos!

O que são picos de crescimento?

Os picos de crescimento são fenômenos que se referem ao desenvolvimento físico do bebê. Ao contrário do que se costuma imaginar, esse não é um processo contínuo e constante, e sim com saltos.

Nos picos de crescimento, o pequeno precisa de alimento para crescer e, naturalmente, vai querer mamar mais. Ou seja, se ele estiver dormindo várias horas seguidas e, de repente, começar a acordar mais para mamar, isso é normal.

Quanto tempo duram os picos de crescimento e quais as necessidades do bebê nessa fase?

Os picos de crescimento duram de poucos dias a uma semana. Em seguida, o bebê tende a voltar ao padrão comportamental anterior. Isso faz com que o corpo da mãe se adapte a produzir mais ou menos leite, de acordo com a demanda do filho.

É muito importante respeitar a vontade do bebê por mais leite materno, pois somente assim a produção vai se ajustar às necessidades dele — o que, diga-se de passagem, acontece na grande maioria das vezes de forma natural.

Um engano comum é, durante um pico de crescimento, a mãe pensar que essa maior necessidade de mamar tenha a ver com a qualidade do leite, que supostamente estaria mais fraco ou algo do tipo. Nesses momentos, algumas mulheres podem se sentir tentadas a oferecer leites artificiais a seus filhos, mas isso pode ser um erro capaz de levar o organismo a se confundir.

Isso porque, ao amamentar menos, o corpo entende que pode produzir menos leite, atrapalhando o equilíbrio natural. Portanto, procure não oferecer qualquer leite em pó ao bebê sem a expressa recomendação de um pediatra de confiança.

Os picos de crescimento costumam ocorrer quando o bebê tem por volta de 7 a 10 dias, de 2 a 3 semanas, de 4 a 6 semanas, 3 meses, 4 meses, 6 meses, 9 meses, e assim até os 18 meses. Depois, seguem acontecendo em todo decorrer do crescimento da criança, inclusive na adolescência, quando as mudanças físicas e emocionais são bastante notáveis.

O que são saltos de desenvolvimento?

Um salto de desenvolvimento ocorre sempre que o bebê adquire novas habilidades. Assim como os picos de crescimento, os saltos não são constantes, sendo mais acelerados em alguns momentos e desacelerados em outros.

Acontece que, a cada nova habilidade que desenvolve, seu bebê fica empolgado com aquilo e quer praticar o tempo todo, até mesmo durante o sono. Esse trabalho mental faz com que ele não durma tão bem nesses períodos.

Também é comum que, logo antes do próximo salto de desenvolvimento, seu bebê se sinta meio perdido por alguns dias. Isso é por conta da maturidade neurológica, que é quando os sistemas perceptivo e cognitivo mudam, mas não há tempo hábil para ele se adaptar a essas mudanças, gerando um estranhamento passageiro. Nesse momento, o bebê deve ficar mais carente e apegado à mãe.

Note que, quando seu bebê aprender a sentar ou a engatinhar, por exemplo, essa nova habilidade o deixará feliz. Ao ganhar um pouco mais de independência, aquela carência pode passar e, talvez, ele se afaste um pouco dos cuidadores.

Mas tantas novidades podem trazer um pouco de angústia para ele. Portanto, o pequeno passará por sentimentos bem opostos, de apego e desapego, carências e independências, com os quais é preciso ter paciência e compreensão.

O que está acontecendo com o cérebro do bebê nessas fases?

Não podemos nos esquecer de que o mundo inteiro é um lugar completamente novo para o bebê. E quando falamos dessa maneira, estamos nos referindo também ao impacto dessa adaptação para o organismo e cérebro dele. Uma das curiosidades sobre recém-nascido prova esse fato: é chamado exterogestação o período em que a criança ainda está se adaptando à vida fora do útero, o qual dura por volta de três meses.

Esse conceito parte da ideia de que, em decorrência da aquisição de inteligência, o cérebro do ser humano alcançou uma dimensão maior ao longo do processo evolutivo. Por isso, o nascimento precisa acontecer antes do que ocorre com outros mamíferos. Se a gestação se estendesse por mais tempo, o tamanho do cérebro não permitiria que a criança passasse pela pélvis da mãe na hora do parto.

Entretanto, esse nascimento antecipado faz com que o sistema nervoso central do bebê ainda não esteja completamente amadurecido. Por isso, os bebês humanos são muito dependentes de cuidados, diferentemente do que acontece com as demais espécies mamíferas.

Mesmo depois desse tempo, o organismo do bebê de um modo geral continua passando por um processo de adaptação e desenvolvimento. O primeiro ano de vida é muito significativo para a formação do cérebro, afinal, durante esses 12 primeiros meses o cérebro do bebê aumenta 101% e, no segundo ano de vida, mais 15%.

Esse aumento de volume também está relacionado à função cerebral cognitiva. Quando ocorre um salto de desenvolvimento, o cérebro precisa se adaptar a essa nova configuração. E nem sempre ele consegue acompanhar o amadurecimento físico, conforme já explicamos.

Durante o salto de desenvolvimento, tudo fica confuso para o bebê, porque o seu cérebro está se adaptando a essa nova forma de enxergar e de interagir com o mundo. É como se ele passasse por uma reprogramação e precisasse assimilar as novas informações que recebeu.

Esse também é o motivo pelo qual o sono da criança sofre alterações quando ela passa pelos saltos e picos de desenvolvimento. Como as informações são assimiladas pelo cérebro enquanto a criança dorme, essa atividade mental intensa pode dificultar o ato de dormir.

Quais habilidades estão relacionadas?

Cada salto de desenvolvimento tem diferentes durações, mas costuma ocorrer por algumas semanas. O mais importante é que a mãe ou o cuidador principal esteja sempre presente. Seja paciente e estimule o bebê com brincadeiras, músicas e leituras, que são fundamentais para o desenvolvimento constante do cérebro.

Os saltos englobam:

  • desenvolvimento motor (rolar, sentar, andar, correr, se equilibrar.);
  • controle motor fino (pegar um brinquedo, usar as mãos para comer, desenhar, tocar instrumento);
  • linguagem (vocalizações, fala, linguagem corporal, gestos, comunicação);
  • desenvolvimento cognitivo (aprendizado, raciocínio, entendimento, memória);
  • sociabilidade (interação com familiares, amiguinhos, professores, expressões de cooperação e empatia).

Quais são os principais saltos de desenvolvimento do bebê?

Com algumas variações de criança para criança, veja como costuma ser a cronologia dos períodos de saltos de desenvolvimento do bebê.

5 semanas (1 mês)

Melhora da visão (já enxerga padrões em preto e branco), mais interesse pelo ambiente à sua volta, capacidade de seguir objetos com os olhos, maior tempo acordado entre as sonecas (1 hora ou um pouco mais). Nessa época, o bebê costuma começar a chorar com lágrimas e a sorrir.

8 semanas (quase 2 meses)

Distinção de sons, cheiros e sabores, percepção e controle dos membros (mãos e pés), experimentação da voz, demonstrações de personalidade etc.

Essas novas experiências podem gerar insegurança no bebê, que pode querer mamar mais. Se isso acontecer, fique tranquila, pois tudo estará trabalhando para que seu corpo se ajuste à demanda.

12 semanas (quase 3 meses)

Descoberta de mais aspectos da vida e maior percepção da visão, da audição e da emissão de sons. Sustentação da cabeça, que já não deve precisar de apoio para ficar erguida. Assim como nos outros saltos, é comum o bebê se voltar mais para os pais. Talvez possa estranhar um pouco ao lidar com outras pessoas — quando for no colo, por exemplo.

19 semanas (4 meses e meio)

Maior habilidade para manusear brinquedos, possível surgimento do primeiro dente, emissão de sons mais nítidos e complexos, percepção mais aguçada dos sentidos, menos sono diurno, entre outras. Esse é um dos saltos de desenvolvimento mais longos e perceptíveis, que dura de 4 a 6 semanas.

Mudanças bruscas de humor e mais demanda por atenção e colo são comuns nesse período, assim como um maior estranhamento a pessoas e situações diferentes. Após esse salto, o bebê em geral pode se virar de costas e de barriga para baixo, se arrastar para frente e para trás, olhar imagens em livros, reagir ao seu reflexo no espelho, entre outros.

26 semanas (6 meses)

Maior coordenação dos movimentos dos braços e pernas, capacidade de sentar sem apoio, maior percepção e noção de movimento e espaço (isso pode fazer ele se assustar mais quando a mãe sai de perto dele), entre outras. Prepare-se, pois após esse salto o bebê vai querer explorar mais a casa, armários, gavetas etc.

Ele também estará mais atento a vozes e conseguirá imitar mais sons. Sua mobilidade aumenta e talvez ele já se apoie em algo para ficar de pé. Com esse salto, ele também já estará pronto para começar a receber alimentos sólidos.

30 semanas (7 meses)

Mobilidade cada vez maior, possível início do engatinhar, primeiras sílabas e um entendimento melhor da permanência das coisas. Alguns já conseguem fazer sinal de tchau. Podem sentir ansiedade com estranhos.

37 semanas (8 meses e meio)

Mais mudanças de temperamento, mais choro, mais demanda por atividades, aumento das reclamações, recusa às trocas de fralda, menos sono, menos apetite, menos movimentação e, possivelmente, hábito de chupar os dedos.

Aqui, o bebê começa a explorar as coisas de forma mais metódica e a entender que elas podem ser classificadas — por exemplo: o que é uma comida e o que é um animal. Ele aponta e pinça objetos (com polegar e indicador) e procura coisas escondidas. Essa é uma fase bem temperamental, com muitas mudanças de humor.

46 semanas (quase 11 meses)

Maior percepção de ordenação de coisas, como onde se deve guardar os brinquedos e objetos. Também, maior consciência de suas próprias atitudes, melhor entendimento do que pode e do que não pode fazer, e de instruções simples. Aqui, é comum o bebê começar a imitar mais os adultos e tentar ter mais autonomia.

55 semanas (quase 13 meses)

Provavelmente, o bebê começa a caminhar, que é um dos saltos mais significativos. Também deve começar a falar cada vez mais.

64 semanas (quase 15 meses)

Combinação de palavras e gestos para se expressar, manuseio de comida com a mão, manuseio de objetos de forma mais apropriada, imitação das pessoas, exploração de tudo a sua volta, início de jogos, entendimento das partes do corpo e resposta a alguns pedidos, como dar um beijo. Também já manuseia colheres e garfos e consegue jogar bola.

75 semanas (17 meses)

Uso frequente de cerca de 6 palavras, gosto por jogos de imitação e por esconder brinquedos, capacidade de dançar e de separar brinquedos por cor, formato e tamanho. Também já olha livros sozinho e consegue rabiscar.

O desenvolvimento continua, mas esses 18 meses, equivalentes a um ano e meio, são os mais fundamentais para seu filho. Então, tenha um cuidado maior nessa fase.

O que é o terrible two?

Como você viu, o bebê passa por muitos saltos e picos de desenvolvimento, e uma das fases que pode trazer bastante dúvida para os pais é a chamada terrible two, também conhecida como adolescência dos bebês.

Em português, o termo pode ser entendido como “terríveis dois anos”, mas é importante saber que essa fase não vai acontecer exatamente quando a criança tiver dois anos de idade. Na verdade, esse número indica o período médio de duração dessa fase.

O terrible two pode acontecer a partir de um ano e meio até os três anos da criança. Nessa época, ocorrem mudanças significativas no comportamento do pequeno. Muitas vezes, um bebê que era calmo e obediente se torna birrento, chora demais, grita, é resistente àquilo que os pais dizem e pode até mesmo se jogar no chão e se debater.

Essas crises acontecem, inclusive, em locais públicos, e os pais costumam ficar perdidos, porque não sabem exatamente como agir. Afinal, esse é um momento novo e repleto de desafios. Mas essa novidade também está acontecendo para a própria criança.

A fase terrible two acontece porque o bebê está passando por um processo de reconhecimento, em que começa a perceber sua própria identidade. É uma etapa natural do desenvolvimento infantil.

Esse é o momento em que a criança começa a se ver como indivíduo, um ser pensante, alguém que tem suas vontades próprias, as suas opiniões e os seus desejos. Além disso, nessa fase, a criança passa a ter que lidar com sentimentos de frustração (por exemplo, quando precisa sair do banho, ir embora de um lugar divertido etc.), e isso nem sempre é fácil para ela.

Porém, quando a criança faz a chamada “birra”, não temos um processo totalmente consciente. Como explicamos, a criança está passando por uma fase de reconhecimento, descobrindo seu lugar no mundo e entendendo como funciona sua independência e autonomia. Além disso, como ainda não consegue verbalizar seus sentimentos, acaba precisando recorrer ao choro para manifestar sua insatisfação ou frustração.

São muitas novidades e informações, e o terrible two pode acontecer de uma hora para outra, dependendo do salto de desenvolvimento do bebê.

O que esperar do terrible two?

Nessa fase, os pais podem esperar bastante teimosia. A criança começa a dizer não para tudo, tem dificuldade em aceitar as decisões dos adultos e tenta se opor a regras e orientações. Tudo isso porque, como explicamos, ela já se reconhece como indivíduo. Assim, deseja expressar intensamente o que prefere e do que não gosta.

Todas as crises e birras que acontecem durante o terrible two são resultado dessa imaturidade que a criança ainda tem para lidar com suas emoções, em especial com as frustrações que enfrenta. Afinal, ela ainda tem limitações e não pode fazer tudo sozinha, nem tampouco tomar todas as decisões.

Assim, os gritos, o choro e as manifestações de raiva são o modo que os pequenos encontram de colocar para fora o que estão sentindo e mostrar para os pais que não estão satisfeitos com a situação.

Quais são os desafios nessas fases e como lidar com eles?

Nunca se esqueça de que cada salto de desenvolvimento é uma novidade para a família e para o bebê. Mais uma vez, falamos que se trata de um processo de adaptação pelo qual a criança está passando, por isso, reforçamos a necessidade de ter bastante paciência.

Durante essas fases, e até mesmo no momento de uma crise, é preciso oferecer colo e carinho. Ela precisa de apoio e, ao contrário do que alguns pensam, esse afeto não fará com que ela se torne uma criança mimada, e sim ficará mais segura. Afinal, ela percebe que tem os pais ao seu lado e que pode contar com eles durante essas mudanças e dificuldades.

Também pode ser difícil para os adultos entender que o bebê é um indivíduo que tem as suas próprias emoções, vontades e preferências. Trata-se de um ser humano e, se colocar no lugar dessa pessoinha, faz toda a diferença para conseguir entender os momentos pelos quais ela está passando.

Como dito, o bebê está descobrindo o mundo e se descobrindo, entendendo como as coisas ao seu redor funcionam e também as relações entre elas. Suas habilidades estão aflorando, o seu organismo está mudando. São muitas transformações, que causam confusão e exigem uma adaptação rápida.

Imagine como deve ser essa experiência para alguém que não consegue entender o que está acontecendo e tampouco se expressar ou exteriorizar seus pensamentos e sentimentos de forma ordenada. Tentar compreender esse momento é fundamental não só para o bebê, mas para que você tenha mais paciência com esse processo de adaptação.

Como pode ser difícil saber do que o bebê precisa, é interessante que você tenha sempre em mente como funciona cada salto de desenvolvimento e o que é esperado que aconteça em determinada fase. Assim, também pode proporcionar os estímulos corretos para a criança, contribuindo para que o processo de adaptação aconteça mais rápido.

Como o sono do bebê pode ser prejudicado — assim como o apetite, o comportamento e o temperamento — é interessante que você procure manter a rotina. Evite interagir com o bebê se ele, por exemplo, acordar no meio da noite e começar a rolar no berço, brincar ou fazer algum som diferente.

Desse modo, evitamos que a criança entenda que aquele momento pode ser usado para outras coisas. Ela precisa continuar compreendendo que as luzes estão apagadas, então, é hora de dormir. Assim, logo o salto vai passar e os horários da rotina não serão tão abalados em função disso.

Durante a terrible two

Durante a terrible two os pais podem se sentir perdidos sobre como lidar com a criança, em especial quando acontecem as grandes crises e explosões de birra, choros e gritos, muitas vezes em locais públicos e em momentos inadequados.

A primeira coisa que você precisa ter em mente é que esse comportamento, embora nem sempre faça sentido para os adultos, é completamente normal para a criança. É uma fase natural pela qual ela vai passar, então, não está relacionada com a educação ou a criação que o pequeno está recebendo.

Entretanto, os pais precisam guiar a criança nesse momento para que ela entenda que não é dessa forma que as coisas são resolvidas. É preciso fazer com que a criança reflita. Então, depois que o ataque de fúria passar, deve ser iniciado um diálogo.

É importante se abaixar e ficar na altura da criança, mostrando disposição para conversar com ela de igual para igual. Pergunte por qual motivo começou a chorar, porque ela fez aquilo, mas não espere uma resposta porque nem sempre a criança tem total domínio da linguagem para responder de uma forma direta.

Contudo, ela sabe refletir e o intuito é justamente esse: fazer com que pense para que consiga lidar com seus próprios conflitos. Além disso, essa abertura para o diálogo mostra que a família está disposta a ouvir o que a criança tem a dizer.

É um incentivo para que ela se expresse com palavras para que se possa chegar a um entendimento, evitando que esse comportamento se estenda para o futuro e o pequeno adote como um hábito, a única maneira de receber atenção ou ser ouvido.

É importante definir limites nesses momentos?

Você viu que a criança fica muito agitada e excitada sempre que aprende alguma coisa nova. Ela quer praticar essa descoberta o máximo possível. O problema é que ela ainda não tem consciência das consequências que algumas atitudes podem acarretar.

A criança ainda não tem noção do perigo, não entende como funcionam as regras sociais e está aprendendo a interagir com objetos, pessoas e outros seres vivos. Logo, construir certos limites nessa fase contribui para que ela não cresça com uma visão distorcida do que pode ou não ser feito.

Quando a criança aprende a pegar e segurar objetos, por exemplo, os pais precisam mostrar para ela o que é apropriado ou não, no que elas podem mexer e no que não podem. Dessa forma, o pequeno começa a delimitar o seu território e a entender até onde pode ir, sem se colocar em perigo.

Nesse sentido, definir limites na medida certa não vai prejudicar o desenvolvimento da criança, e sim contribuir com ele. Só porque a criança começou a andar não significa que podemos deixá-la livre pela casa toda, mexendo na cozinha, abrindo todas as gavetas e brincando com qualquer objeto que encontre, não é mesmo?

Construir uma boa rotina em família também contribui muito na hora de lidar com os desafios de salto de desenvolvimento. Isso porque as crianças se sentem muito mais confortáveis quando estão em situações previsíveis, ou seja, quando não precisam lidar com eventos inesperados.

Lembrando que definir limites é muito diferente de punir ou castigar. Durante uma crise do terrible two, por exemplo, o mais indicado é se oferecer como um ponto de apoio para a criança, verbalizando que você sabe o quanto tal situação a deixa chateada.

Para ficar mais fácil entender, basta imaginarmos a mesma situação com um adulto. Se em seu ambiente de trabalho você encontra uma amiga chorando porque levou uma bronca do chefe, você a repreende ou a consola? Certamente, você terá uma palavra de apoio para tentar ajudá-la a lidar com a situação, certo? O ideal é que o tratamento para com o sentimento das crianças siga esse mesmo princípio de empatia.

Dessa forma, procure conversar com o pequeno, acalmar, oferecer colo. Se nada disso resolver, mantenha a criança em segurança (já que em algum momento ela pode querer bater ou se jogar ao chão) e fique disponível para consolá-la assim que ela demonstrar essa necessidade ou vontade.

Como lidar com a ansiedade da separação?

Entre 6 e 8 meses de vida, o bebê começa a ter noção de sua individualidade e a perceber que ele e sua mãe não são uma coisa só. Isso gera angústia, pânico, mais demanda por atenção e choros mais frequentes que o normal. Esse é o início de um processo longo, que vai pelo menos até 2 ou 3 anos, às vezes, até 5 anos de idade.

Para as mães, é fundamental entender e respeitar a intensidade dos sentimentos do filho. Afinal, ela representa toda segurança do bebê e, como ele ainda não tem noção de permanência das coisas, a sensação de ausência é realmente bem intensa.

Outro fator que merece bastante atenção é ao colocar a criança aos cuidados de outra pessoa. Garanta que ela seja introduzida aos poucos e que sejam estabelecidos vínculos de confiança.

Tenha consciência de que as conexões nervosas do cérebro e a maneira como seu bebê lida com as emoções terão um impacto profundo na vida dele, refletindo diretamente em como ele vai lidar com emoções quando for adulto.

Ao sofrer com a ausência dos pais, ativam-se no cérebro das crianças as mesmas zonas afetadas no sofrimento de uma dor física. Isso é um fato neurobiológico que, infelizmente, alguns pais tentam negar, por não conseguirem lidar com as emoções de seus filhos.

O que mais pode impactar a vida do neném?

Enganam-se as pessoas que acham saudável expor seus bebês a situações de estresse, como uma forma de ensiná-los a lidar com a tensão. Por exemplo, deixá-los chorar por muito tempo, em vez de tentar entender a origem do choro e acalmá-los.

Na verdade, isso pode gerar pânico e um aumento de substâncias estressantes no cérebro do bebê, resultando em uma hipersensibilização do seu sistema de medo. Tudo isso pode afetar a vida adulta, causando fobias, obsessões e outros transtornos.

É comprovado que o período mais importante para o desenvolvimento emocional de uma criança é o primeiro ano e meio de vida (18 meses). Por isso, é fundamental você estabelecer vínculos emocionais de empatia e confiança.

O desenvolvimento social, a autoconsciência e a forma de interagir com outras crianças e pessoas são fundamentais nesse período, e também acontecem gradativamente. Compartilhar brinquedos é algo difícil para uma criança de 2 anos, por exemplo, mas a partir dos 3 é provável que ela já consiga lidar melhor com isso.

Todos esses aspectos formam a inteligência emocional da criança, criando o fundamento para desenvolver outros aspectos de seu crescimento. Eles permitem que ela aprenda a ter empatia, felicidade, otimismo, resiliência etc.

Outros acontecimentos que podem impactar a vida de um bebê são o nascimento de um irmão ou irmã, a volta da mãe ao trabalho, a entrada na creche ou escola, viagens, doenças, a separação dos pais, a perda de uma pessoa próxima, os atritos com seus coleguinhas de escola, entre outros.

Em todos esses casos, tenha paciência, ofereça segurança, amor e compreensão. Aos poucos, a criança vai se adaptar às situações, mesmo as mais adversas.

Como apoiar o desenvolvimento do bebê?

Até aqui você já conferiu quais são as dificuldades que os pais podem enfrentar durante um salto de desenvolvimento do bebê. Também deixamos algumas sugestões de boas práticas que podem contribuir para superar os desafios que vão surgir durante cada uma dessas etapas.

Porém, existem outras atitudes que você pode tomar para apoiar o desenvolvimento do bebê. Elas trarão mais conforto para o pequeno conseguir se adaptar de uma maneira mais natural. Além disso, farão com que ele se sinta acolhido e aproveite ao máximo esses novos aprendizados e informações. Confira algumas sugestões.

  • Procure não negar colo, carinho e atenção, para que o pequeno se sinta amado e não fique carente durante as mudanças.
  • Tente entender a fase do bebê e se colocar no lugar dele.
  • Não se esqueça de que as fases vão passar, então, procure aprender com elas e com a criança.
  • Incentive a prática de novas habilidades e aprendizados.
  • Elogie e mostre entusiasmo por cada uma das conquistas.
  • Proporcione estímulos adequados de acordo com cada salto.
  • Ofereça brinquedos que contribuam para aprimorar as novas habilidades.
  • Deixe o bebê mamar de acordo com sua vontade, para se sentir mais seguro.
  • Mantenha o bebê próximo a você, usando o sling, por exemplo.
  • Evite estímulos próximos da hora de dormir, para não prejudicar ainda mais o sono.
  • Adote um ritual do sono para ajudar o bebê a entender que é hora de dormir.

Percebeu a importância do equilíbrio na criação de uma criança em todos esses momentos? Por isso, é tão necessário entender as causas de desconforto, tanto nos picos de crescimento, quanto em cada salto de desenvolvimento. Assim, você conseguirá suprir as necessidades do bebê com paciência e de forma amorosa.

Como dissemos, a rotina ajuda bastante a passar pelos saltos e picos de desenvolvimento. Então, veja como você pode estabelecer uma rotina para o bebê.

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